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Geração energia SC

Próxima grande usina de SC está prestes a entrar em operação.

Empreendimento está em contagem regressiva para começar o enchimento do reservatório de água e iniciar a geração de energia; previsão é que autorização seja concedida pelo IMA ainda nesta semana.

25/04/2022 11h46
Por: Vitor Blemer
Fonte: ND Mais
Foto divulgação
Foto divulgação

Uma das maiores usinas hidrelétricas de Santa Catarina está em fase final de obras. Com 95% da construção já realizada, a UHE (Usina Hidrelétrica) São Roque, no Planalto Sul do Estado, aguarda apenas uma autorização por parte do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) para iniciar o enchimento do reservatório de água. Segundo o órgão, isso deve ocorrer ainda nesta semana.

Hoje, duas das três turbinas já estão instaladas e a última segue em fase final, com previsão para que até julho o complexo comece a funcionar integralmente.

Com isso, a expectativa é fechar o reservatório para iniciar o enchimento nos próximos dias, permitindo que até o final de maio a São Roque possa começar a gerar e enviar energia para o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Este prazo foi antecipado inclusive a pedido da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a crise energética recente pela qual todo o Brasil passou. Quando estiver completa, a vazão será de aproximadamente 33 m³/segundo. Ela tem capacidade instalada para gerar 141,9 MW (megawatts), o equivalente ao consumo residencial das quatro maiores cidades do Estado: FlorianópolisJoinvilleChapecó e Blumenau.

O empreendimento é a maior hidrelétrica em construção não apenas em Santa Catarina, mas em todo o Brasil, conforme a São Roque Energética, responsável pela UHE São Roque, e reconhecido pelo IMA.

Sua implantação fica sobre o rio Canoas, entre os municípios de Vargem e São José do Cerrito. No entanto, o reservatório abrange também os municípios de Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério, enquanto a linha de transmissão de energia, que levará o que for gerado pelas três turbinas até a conexão com o sistema interligado nacional, passa pelo município de Abdon Batista.

Um dos diferenciais da São Roque apontado pelo empreendedor é o reservatório de regularização, o que significa que em épocas de bastante chuva será possível armazenar água para ser utilizada nos períodos de maior seca, semelhante ao que ocorre em grandes empreendimentos similares em outros Estados, mas que não encontra precedente em Santa Catarina.

O ritmo de execução foi reduzido em 2016, quando a São Roque já estava com 80% de sua estrutura concluída, mantendo-se apenas atividades de conservação e manutenção das instalações. O investimento total é de R$ 1,1 bilhão. As obras foram retomadas em julho do ano passado.

“O novo aporte para conclusão da obra é de R$ 350 a R$ 400 milhões. Esse valor é para o conjunto das atividades, tanto a obra da usina com a linha de transmissão, como as questões socioambientais, entre eles, a indenização das propriedades”, segundo Ênio Schneider, coordenador do projeto da Usina São Roque. O Estado participa do pacote de financiamentos através do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com R$ 140 milhões.

Concessão vale por 35 anos e vai atender 400 mil domicílios

O contrato de concessão foi assinado pela São Roque Energética junto à Aneel em 2012, sob a gestão do então ministro Edison Lobão, pelo prazo de 35 anos. Em 2016 houve um aditivo ao contrato original e com isso foram atualizadas a capacidade de geração e os prazos da obra.

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No entanto, o andamento foi sendo penalizado pela burocracia. “O Ibama levou cerca de cinco anos para analisar o corte de vegetação, houve ajustes internos por parte do empreendedor, e tudo tornou o processo muito demorado, mas agora está caminhando para a parte final”, pontua.

Em e-mail recente, o Ministério de Minas e Energia manifestou ao IMA que o empreendimento “ainda precisa passar por uma etapa complexa e importantíssima para sua efetiva operação, que gerará energia suficiente para atender quase 400 mil domicílios e trará economicidade para os consumidores”. De acordo com o presidente do IMA, desde sua posse no cargo, há um empenho para a celeridade no projeto, respeitados os requisitos legais.

“Foi concedida a atual licença de instalação em setembro de 2021, já sob a atual gestão. Os laudos sobre a possível contaminação das águas em função do alagamento da área onde havia seis antigos cemitérios [já’ removidos] foram apresentados na última semana e agora estão em fase de análise para ser feita a autorização de comissionamento [que é o fechamento do reservatório], para um período de testes de 30 a 60 dias. A partir daí entra o processo de concessão da LAO (Licença Ambiental de Operação) e é possível que seja concedida logo na sequência, caso esteja tudo de acordo”, detalha Netto.

“Do nosso ponto de vista, houve excesso de zelo por parte do IMA nessa exigência. Amplificou um problema, mas a expectativa é que [a autorização para enchimento dos reservatórios] saia nos próximos dias. Santa Catarina e o Brasil precisam dessa energia”, pondera Schneider.

Importância reconhecida nacionalmente

No mesmo e-mail encaminhado pelo MME ao IMA, fica reforçada a importância da São Roque. “A UHE São Roque se destaca por se tratar de uma usina de cabeceira, que possibilita regularização de todas as usinas existentes a jusante e, dado que será um reservatório de acumulação, desempenhará papel fundamental no armazenamento de água.”

Isto porque além dos 142 MW gerados na São Roque, a estrutura que inclui o reservatório ampliará a geração em outras usinas abaixo dela. Como exemplo de usinas beneficiadas, ainda no rio Canoas estão Garibaldi (em Abdon Batista) e Campos Novos (entre Campos Novos e Celso Ramos).

Obras avançam e UHE São Roque desce primeiro rotor | CanalEnergia

Em seguida, há uma confluência do rio Canoas com o rio Pelotas e se torna o rio Uruguai. A partir daí, as águas beneficiarão na geração de energia nas usinas de Machadinho – entre os municípios de Piratuba (SC) e Maximiliano de Almeida (RS) -, e Foz do Chapecó (instalada entre os municípios de Águas de Chapecó, em Santa Catarina, e Alpestre, no Rio Grande do Sul).

 

Retorno financeiro, turístico e social

Antes mesmo de iniciar suas operações, a instalação da UHE São Roque já trouxe benefícios à região. “Só de ISS [Imposto Sobre Serviço] foram recolhidos cerca de R$ 10 milhões durante as obras, que é distribuído aos municípios da região. O investimento em compensação, em valores atualizados, está estimado em R$ 15 milhões”, pondera Schneider.

Milena Lopes (PL), prefeita de Vargem e presidente da Amplasc (Associação de Municípios do Planalto Sul de Santa Catarina), frisa que “a partir da instalação da UHE São Roque, a condição social da população vai melhorar. Por isso esperamos que o IMA libere o que falta, para trazer mais desenvolvimento para toda a região”.

O município-sede da São Roque tem cerca de 350 km², onde vivem aproximadamente 4 mil habitantes. Ainda nesta fase, antes da operação da usina, a Prefeitura de Vargem recebeu um incremento de R$ 2 milhões no ano passado, valor que representa 20% a mais na arrecadação municipal. Apesar de apenas 11% da área da usina ficar em Vargem, é ali onde está instalada a casa de máquinas e, portanto, é a referência para o cálculo do ICMS, que é parcialmente revertido ao município de origem, conforme a política tributária estadual.

“Estamos todos muito felizes, pois a instalação da usina de São Roque deve trazer crescimento econômico, geração de emprego e renda, inclusive no turismo, pois estamos com projetos para a área alagada, com a construção de novos loteamentos e condomínios e áreas de visitação e passeio”, detalha a gestora local.

Um desses empreendimentos deve ser erguido em uma área de aproximadamente 400 mil m² – parte de propriedade do município e o restante em negociação com os proprietários atuais. Além da construção de um loteamento, a proposta prevê uma marina, trapiche de atracação e embarque, quadras de esporte, churrasqueiras e áreas de convivência, com a preservação de vegetação nativa, conforme a prefeitura. Por fim, há ainda a reserva de espaço para possível instalação de um hotel resort na região.

Detalhes da UHE São Roque

  • Capacidade instalada para geração: 141,9 MW (equivalente ao consumo residencial das quatro maiores cidades do Estado: Florianópolis, Joinville, Chapecó e Blumenau)
  • Quando estiver completa, a vazão será de aproximadamente 33 m³/segundo
  • Área inundada: 45,37 km² (entre os municípios de Vargem e São José do Cerrito. O seu reservatório abrange, também, os municípios de Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério e a linha de transmissão o município de Abdon Batista)
  • Empregos: em torno de 1.300 diretos (no auge das obras). Hoje são cerca de 400 empregos de forma direta
  • R$ 4 milhões em royalties ao ano, dos quais 65% serão revertidos aos municípios do entorno e ao Estado. O restante será destinado aos entes envolvidos no sistema energético
  • Altura máxima da barragem: 67,75 metros
  • Comprimento da barragem: 861 metros
  • Linha de transmissão: 27,6 km
  • Concreto Convencional (CCV) usado na obra: 367 toneladas
  • Concreto Compactado a Rolo (CCR) durante a obra: 1.380 toneladas

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