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Avião de SC sumiu

Abaixo de zero e com neve: conheça a região onde sumiu avião de SC.

Meteorologista fala sobre as condições climáticas de onde aeronave com catarinenses desapareceu e se a chuva deve dar trégua nos próximos dias.

08/04/2022 09h30
Por: Vitor Blemer
Fonte: ND Mais
Mário Pinho (esquerda) é natural de Pelotas e mora em Florianópolis. Gian Carlo Nercolini (centro) e Antônio Ramos (direita) nasceram e moram na Capital – Foto: Arquivo Pessoal/ND
Mário Pinho (esquerda) é natural de Pelotas e mora em Florianópolis. Gian Carlo Nercolini (centro) e Antônio Ramos (direita) nasceram e moram na Capital – Foto: Arquivo Pessoal/ND

O avião com três moradores de Florianópolis que sumiu na quarta-feira, na Argentina, passava por uma região com grande dificuldade meteorológica por conta de um sistema que atuava fortemente no Sul do país vizinho e resultou em muita chuva e temperaturas baixas.

De acordo com a meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Andrea Ramos, um sistema frontal atuava na região no momento do voo, principalmente no Sul da Argentina.

“O céu fica encoberto, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Um sistema frontal se conectou com outro e favoreceu a condição ruim. Provavelmente as temperaturas estavam negativas e com chance de formação de neve”, conta Andrea Ramos

Os brasileiros saíram da cidade de El Calafate, que faz parte da Patagônia argentina, próxima da Cordilheira dos Andes. Além disso, é conhecida como acesso ao Parque Nacional Los Glaciares, que abriga a gigante geleira Perito Moreno.

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Cidade onde brasileiros saíram é conhecida como acesso ao Parque Nacional Los Glaciares, que abriga a gigante geleira Perito Moreno – Foto: El Calafate/Divulgação/ND

Cidade onde brasileiros saíram é conhecida como acesso ao Parque Nacional Los Glaciares, que abriga a gigante geleira Perito Moreno – Foto: El Calafate/Divulgação/ND

Na noite da última quarta-feira (6), o diretor da Defesa Civil de Chubut, José Mazzei, contou que a esperança era que a aeronave tivesse pousado em uma área denominada “estancia La Aguada”.

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Local onde diretor da Defesa Civil de CHubut acreditou que brasileiros conseguiram pousar, mas nenhum vestígio do avião foi encontrado até a noite desta quinta-feira – Foto: Maps/Reprodução/ND

Local onde diretor da Defesa Civil de CHubut acreditou que brasileiros conseguiram pousar, mas nenhum vestígio do avião foi encontrado até a noite desta quinta-feira – Foto: Maps/Reprodução/ND

O presidente do Aeroclube de El Calafete, Freddy Vergnolle, contou que as condições climáticas no momento da decolagem já não era das melhores para o voo. Ele concedeu entrevista para a Rádio 3, e disse que os brasileiros estavam na cidade da Argentina há três dias e escolheram sair em um dia “excepcional para voar”.

Freddy Vergnolle diz que o plano de voo mostrou que o trio teria decidido pousar em um aeroporto alternativo na cidade de Puerto Deseado, cerca de 600 quilômetro antes do destino final.

No entanto, o presidente alega que percebeu que eles voltaram ao plano inicial que era de voar até Trelew.

A cidade onde os brasileiros pretendiam pousar faz parte da província de Chubut que conta com um relevo diversificado, mas com áreas mais planas próximo do oceano.

As equipes realizaram busca pela terra e também no mar ao longo desta quinta-feira, mas ainda não localizaram o avião. Ainda conforme a meteorologista do Inmet, o Sul da Argentina registrava muitos temporais por volta das 19h30 desta quinta.

A situação climática está influenciando diretamente nos trabalhos das equipes de busca, conforme ressaltou a EANA (Empresa Argentina de Navegação Aérea).

Por volta das 19h desta quinta, a EANA publicou que as buscas continuavam por terra e mar, enquanto condições climáticas adversas de chuva, nuvens e céu nublado impossibilitavam o trabalho aéreo na área. “Aguarda-se a melhoria do clima para retomar a mobilização da área”, conclui.

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No entanto, a meteorologista Andrea Ramos alerta que as chuvas não devem dar trégua nas próximas 24 horas. “A previsão para sexta-feira (8) é de mais temporal e vento forte, principalmente na região litorânea”, conta Andrea Ramos.

Quem eram os tripulantes

Antônio Carlos Castro Ramos, proprietário da construtora ACCR, é morador de Florianópolis e considerado um dos grandes nomes do ramo, em Santa Catarina. Um amigo próximo confirmou para a reportagem do ND+ que o empresário morava no Centro de Florianópolis.

Toninho, como é conhecido por pessoas próximas, é torcedor do Avaí, casado e tem dois filhos adultos. Além disso, vem de uma família bem conhecida, principalmente por conta do seu avô Celso Ramos, que foi governador de Santa Catarina entre os anos de 1961 e 1966. O seu pai é o engenheiro Nilton Ramos.

Ainda conforme um amigo próximo, o empresário foi para a Argentina para lazer e sempre gostou de voar. Todos os ocupantes estiveram em um festival aéreo, no último final de semana, em Comodoro Rivadavia, a maior da província de Chubut.

Manezinho da Ilha, Antônio Ramos é também conhecido por atuar no ramo da construção civil desde 1989. Ao longo das três décadas, mais de 52 empreendimentos comerciais e residenciais já foram levantados pela construtora ACCR.

De acordo com os colunistas do Grupo ND, Moacir Pereira e Cacau Menezes, outras duas pessoas estavam no avião: Mário Pinho e Gian Carlos Nercolini.

Márinho Pinho, ou Marinho como era conhecido, estudou na FURB (Universidade Regional de Blumenau) e também na Escola Técnica Federal de Pelotas, no RS. Além disso, fez Pós-Graduação em Gestão empresarial na Instituição FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Na vida profissional, ele trabalhou na CHT Eletrosul e também na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Ainda conforme os colunistas do Grupo ND, o terceiro passageiro do pequeno avião RV-10, prefixo PP-ZRT, é o médico ginecologista Gian Carlos Nercolini, de Florianópolis.

Aeronave é avaliada em R$ 1 milhão

A aeronave que transportava os brasileiros é o modelo RV-10 é experimental e não é encontrada por menos de R$ 1,1 milhão.

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RV-10 é um modelo experimental de avião e levava empresário catarinense que desapareceu – Foto: Divulgação/Vans Aircraft/ ND

RV-10 é um modelo experimental de avião e levava empresário catarinense que desapareceu – Foto: Divulgação/Vans Aircraft/ ND

Com capacidade para quatro pessoas, o avião pode carregar até 100 libras, ou cerca de 45 Kg de bagagem. Os passageiros com até 1,80 metro de altura viajam confortavelmente no experimental. A aeronave é capaz de realizar pousos curtos em terrenos como grama, brita ou terra.

O modelo RV-10 é feito essencialmente para o transporte de pessoas. Suas portas se abrem tanto do lado esquerdo quanto do lado direito e o valor é variável já que depende dos acessórios adicionados, como ar condicionado e outros detalhes do painel. Os detalhes do experimental são da empresa Vans Aircraft.

Em entrevista à rádio argentina LU12 AM680, o piloto comercial Christian Argañaraz apontou fragilidades no tipo de avião pilotado por Antônio Carlos, indicando suspeitas para o desaparecimento. Conforme Argañaraz, as hélices destas aeronaves não contam com o chamado sistema de proteção antigelo.

O “congelamento” pode ocorrer diante das baixas temperaturas em grandes altitudes, e é responsável por provocar a queda de aviões – durante a entrevista o piloto listou alguns casos ocorridos na região.

“Ao perder a aerodinâmica da asa, perde-se sustentação e o avião cai automaticamente. Não há como planar. Nesse caso, você não tem escolha, o avião cai”, disse. Não há confirmação de que a aeronave do catarinense tenha caído.

Conforme a Defesa Civil argentina, quando houve a perda de contato com a aeronave, chovia com bastante intensidade na região, mas isso não chegava a ser impedimento para o voo.

O avião sobrevoava uma região entre o mar e a costa. O último contato foi registrado no Centro de Controle da Área Comodoro Rivadavia.

Após várias tentativas de comunicação com a tripulação, o órgão comunicou o alerta ao Serviço de Busca e Salvamento.

Voo sem instrumentos

Conforme a Agência Nacional de Aviação Civil brasileira, o avião de prefixo PP-ZRT, modelo RV-10 não estava apto a voar por instrumentos, apenas com o campo visual.

A região de Chubut estava em alerta amarelo emitido pelo Serviço Meteorológico Nacional da Argentina, devido às condições climáticas, com previsão de chuvas fortes combinadas com rajadas de vento.

A aeronave, fabricada em 2016, está registrada em nome de Antônio Carlos de Castro Ramos e se encontra em situação normal de operação.

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